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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

AOS ALUNOS, AMIGOS E COLEGAS.


              "Quando um professor parte, ele se reintegra em sua respeitabilidade mais autêntica, mesmo tendo cometido loucuras em sua profissão.
              A partida apaga, com sua mão de ausência, as manchas do passado e a memória do professor brilha como diamante. Essa, a tese da vida, aplaudida por colegas e amigos.
            Segundo eles, o professor, ao partir, volta a ser aquele antigo e respeitável amigo, de boa família, alegre, com presença de espírito, ouvido com respeito pelos colegas, opinando sobre o tempo e a política, jamais visto num boteco, de vida caseira e comedida. "
 Adaptado de Jorge Amado.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

PALÁCIOS DA MEMÓRIA


Transporei com a força de minha natureza, subindo por degraus até Aquele que me criou.

Chego aos campos e vastos palácios da memória onde estão tesouros de inumeráveis imagens trazidas por percepções de toda espécie.

Bonito né? Mas é de Santo Agostinho, um dos mais brilhantes filósofos deste nosso mundo fantástico.

História, Filosofia e Música são minhas grandes paixões. Depois de minha família é claro.

   Sou um apaixonado por História, desde que era pequeno. Como se eu tivesse vivido em épocas passadas. Sinto que já estive lá.

Pretensão, não é mesmo?

Bom, deve ser coisa de professor de História só para ganhar a galera.

Sociologia e Filosofia é uma antiga paixão. Se tivesse mais tempo, iria estudar mais ainda, pois com a filosofia enxergamos o mundo de uma forma diferente. O “milagre” desse “fragmentozinho” que é o ser humano me contagia.

Música, música, música...

Ela me transporta, me cura, alimenta a esperança.

Quando ouço a boa música acredito mais em todos nós

A música me completa.

Bob Siqueira



PENSANDO EM TI.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Minha alma


“Minha alma é um local privado. Como ninguém mais, a vida e minha esposa contribuíram para que eu me colocasse no caminho certo. Recebi muito mais do que perdi ou pedi”

NO BRASIL, PARECE QUE SER VELHO É DESELEGANTE


Junia de Vilhena é responsável por núcleo de estudos sobre o envelhecimento em sua dimensão psíquica e social
Junia de Vilhena é doutora em psicologia e coordenadora do LIPIS, o Laboratório Interdisciplinar de Pesquisa e Intervenção Social, na PUC-Rio. Ali funciona o Envelhecentro, núcleo de estudos que tem como objetivo abordar os problemas do envelhecimento em sua dimensão psíquica e social, e que mantém uma parceria com a Universidade de Coimbra desde 2012.
Na opinião da professora, o Brasil está mergulhado num clima de gerontofobia: “parece que ser velho é deselegante”, ironiza. “As pessoas vivem em estado de negação, como se não fossem morrer. Velhice não é diagnóstico que demande intervenção terapêutica, mas é comum que os velhos que nos procuram se queixem de estar ‘sofrendo de velhice’”, completa. O atendimento a pacientes é feito em rodas de conversa, nas quais a prioridade é ouvir o que os idosos têm a dizer. Os temas mais recorrentes são a perda do poder aquisitivo depois da aposentadoria; doenças crônicas e as limitações que trazem; e conflitos nas relações familiares, principalmente o afastamento dos filhos.
Junia de Vilhena: velhice não é diagnóstico que demande intervenção terapêutica
Segundo Junia, uma sociedade que valoriza apenas a juventude só tem a perder. Por isso propõe uma reflexão sobre a diferença entre juvenilidade e jovialidade: “a juvenilidade é biológica, está ligada à idade. Já a jovialidade é existencial e simbólica. Jovialidade vem de Júpiter, jovis no latim, se inscreve numa condição divina. Trata-se de um outro nome para a alegria, para a aceitação da vida tal qual ela nos aparece. Jovens e velhos se encontram na alegria da jovialidade”. No entanto, explica que o chamado “valor simbólico” do indivíduo diminui com o envelhecimento, colocando-o à margem: “o velho não é mais visto como depositário do saber. Num primeiro momento, envelhecer parece ser pior para a mulher, já que o modelo feminino está calcado na beleza, na estética. Entretanto, a médio e longo prazo, o risco acaba sendo maior para os homens, que ainda atrelam sua identidade ao trabalho. Quando essas insígnias do ambiente profissional são retiradas, com frequência ele não tem outra rede de proteção onde se apoiar. As mulheres, mesmo as que têm uma carreira e trabalham fora, detêm o domínio do espaço da casa, além de uma maior capacidade de se relacionar”.

Em maio, ela foi palestrante no Congresso Internacional sobre Envelhecimento, realizado na Coimbra Business School, e chamou a atenção para o preconceito em relação à sexualidade e à homossexualidade de idosos. Lembrou a polêmica causada pelas personagens de Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg na novela “Babilônia”: “avós não devem fazer sexo, e com alguém do mesmo do mesmo sexo é impensável”. Afirma que a reinvenção da velhice terá que ser um processo coletivo: “há muitas perdas, não somente de cônjuges, familiares e amigos, mas relativas ao próprio corpo. É preciso viver o luto, mas também descobrir e redescobrir prazeres, como as coisas de que gostávamos e nas quais não investimos porque era preciso trabalhar e criar os filhos. É preciso ressignificar as representações acerca da própria vida e da posição social e simbólica do velho na sociedade”.
Por Mariza Tavares, Rio de Janeiro